terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Soneto Antigo


Cecília Meireles

Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Porque quando acaba, não é 'fim'

Estava meu professor de matemática felizmente a filosofar sobre o fim das aulas do Ensino Médio.


Bem, esse talvez é o motivo de eu escrever esse post, então lá vou eu.



"Nossa vida é composta de vários ciclos. Quando criança, aprendemos a engatinhar, para depois ir apoiando nas coisas até ficarmos em pé sem ajuda. Começamos a pronunciar as vogais, para então falarmos nossa primeira palavra, e quando conseguimos falar, por fim, não paramos mais.

Tudo em nossa vida é baseado em etapas.
A comparação pode ser ruim, mas é como um jogo: a primeira fase é de adaptação, aprendemos as noções básicas daquilo, e a dificuldade aumenta a cada fase, até termos de planejar os ataques, as defesas, saber como derrotar cada inimigo etc.

E então vem o fim. Acabou. The end.

Mas será que o fim é realmente o fim?

Tudo aquilo que é datado, e que você se prepara para quando o dia chegar (seja um vestibular, uma apresentação de trabalho ou de música, um encontro, uma viagem), chega, e então acaba.
É costume nosso pensar nessas situações como sendo o fim. Mas pense bem, na verdade é um novo começo. Se você não passar no vestibular, tem cursinho no próximo ano (ou trabalho), então ao invés de estudar numa facul[universi]dade, vai fazer outra coisa. O Colegial terminou, mas outra coisa começa. Depois do encontro, vocês saem de novo (não vou entrar no quesito: geração que fica e nunca começa nem acaba nada) ou não, e então procuram outras pessoas. A viagem eu concordo que chega ao fim, mas e a bagagem cultural que você traz? Nunca se perde.

Posso ir além. Uma morte não é um fim, é apenas um começo de vida sem aquela pessoa. Você tem a fase de adaptação, onde tem de acordar todos os dias e perceber que vai ter que se virar sozinho, e que embora a pessoa tenha ido, existem outras que não foram e que também estão lá para você (e você também está lá para elas, não se esqueça disso). Até o momento em que você vai ter a lembrança da outra, e vai ficar feliz pelo que se passou.

Então, pessoas, quando algo acaba, na verdade apenas mudou.

Quem foi que disse que nada se cria, tudo se transforma? Pois é, nada acaba, mas sim vira algo novo e diferente, ao qual às vezes estamos preparados, e às vezes não, mas que faz parte da vida. E que só nós poderemos dizer se é bom ou não".


Pois é, um pequeno discurso de um professor e uma reflexão sobre o "fim" de uma de suas alunas.


Professor Vinícius, você não é o fim, mas sim o começo de várias pessoas e a lembrança em muitas outras. Cada um leva um pouco de você, falando contigo ou não. Fique feliz por ser o responsável do aprendizado de muitas pessoas, e por fazer parte da convivência delas também.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Do blog da Anna

"Vai uma dica aos ignorantes:

Chamar alguém de feio, não te deixa mais bonito,
Ficar sem comer não te deixa um palito,
Excluir uma pessoa não te torna mais popular, não são as marcas que vão te rotular,
Chamar alguém de gordo não te emagrece,
Dizer que uma pessoa é triste não traz felicidade,
Falar que alguém é fraco não te fortalece,
Dizer que uma pessoa é metida não te traz a humildade,
Falar que alguém é insignificante não te engrandece,
Dizer que uma pessoa é falsa não te leva à verdade,
Dinheiro não compra felicidade,
Conhecer muita gente não é o mesmo que ter amigos,
Ser famoso é diferente de ser querido,
Sexy não é o mesmo que vulgar,
Atração é diferente de amor."



Não sei quem escreveu, mas copiei o texto daqui: http://myreflection.zip.net/arch2010-11-21_2010-11-27.html
Que é o blog da Anna. xD

sábado, 20 de novembro de 2010

As possibilidades perdidas [Viver não dói]

Martha Medeiros

"Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia, chamado Emilio Moura, teria completado 100 anos neste mês de agosto, caso vivo fosse. Era amigo de outro grande poeta, Drummond. Chegaram a mim alguns versos dele, e um em especial me chamou a atenção: "Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive".

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais"

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Fim da história deles? Nahh...

"Markus perdeu todo o auto controle. Seu peito parecia não obedecer-lhe mais. Ele tinha de se acalmar.

Lembrou-se de todas as vezes em que sua presença era sentida, todas as vezes em que era notado, em TODAS elas ambos se rendiam ao desejo, mas não podia fazer isso agora, não quando qualquer oscilação no ambiente pudesse romper a estrutura da ponte.

Markus gritou, correu até Anna, olhou para ela, tentou tocá-la, avisá-la, mas era inútil, sabia que era. Porém não conseguia evitar.

Então o vento soprou, gélido, e ela fechou os olhos, se abraçando.

- Markus?

Não! Não sou eu, saia daí! Saia agora!

E então algo aconteceu, e tão rápido quanto a história deles surgiu, Anna se foi, caindo nas profundezas do nada"



Xú, tava pensando em colocar: "Então ele caiu da cama" ou "Foi o pesadelo mais intenso" para poder dar começo à parte da história em que ele procura saber os motivos de ser sentido por ela e de estar apaixonado. Algo do tipo: "Céus, não sei porquê estou aqui, mas preciso muito descobrir". Principalmente porque o desejo não vai surgir todas as vezes (vai virar livro obsceno... *risos*) em que eles se encontrarem...


A Variante

Primeira parte do texto do dia 5 de setembro.

"Anna estava sentada há horas, na mesma posição, moldando o vaso, dando forma ao barro; Markus sabia que ela procurava dar forma àquilo que sentia dentro de si, sabia que seus sentimentos eram tão intensos e confusos/conflitantes quanto os dele.
Era o sétimo vaso. Aos olhos de um leigo estavam todos muito lindos, muito perfeitos, mas ele desconfiava que ela devia achá-los ocos, vazios, desprovidos de valor. Porém, por um momento, o trabalho incessante de Anna pareceu inexistente"

A Variante (2)

Quando deitou naquela noite, Anna sonhou .

Em seu sonho, havia uma praia, uma pedra e estava entardecendo; ela estava sozinha, mas sentia a presença dele. Não estava nervosa, ou ansiosa, estava em paz. Tanto que não se importou quando sentiu o outro atrás dela a envolver com os braços, deixando-a apoiar a cabeça em seu peito.

- Quem é você?

Silêncio. Por um instante fez com que a chama da dúvida acendesse. Porém o ouviu, pela primeira vez:

- Você não sabe? - beijou sua nuca lentamente - Não mesmo?

(parte da Nina que não lembro)

Ela virou para olhá-lo, e se surpreendeu quando percebeu que olhava para o teto do seu quarto.
Gemeu de contrariedade, mas se acalmou ao perceber que ouvira sua a voz e o sentira. Era o primeiro contato concreto com aquele que tanto mexia com seus sentimentos.